Os rins têm inúmeras funções para os seres vivos desde a eliminação de toxinas até a produção de hormônios. Quando estas funções começam a ficar prejudicadas, temos a lesão renal.
Esta lesão renal pode ser aguda, quando se instala em horas a dias, ou crônica, quando se torna permanente.
A doença renal crônica (DRC), também chamada de insuficiência renal crônica, descreve a perda gradual e irreversível da função renal. Os rins filtram os resíduos e o excesso de fluidos do sangue, que são então excretados na urina. Quando a doença renal crônica atinge um estágio avançado, níveis perigosos de fluidos, eletrólitos e resíduos podem se acumular em seu corpo.
A doença renal crônica é definida quando a taxa de filtração do rim cai abaixo de 60mL/min ou quando há alteração permanente nos exames de urina ou de imagem do rim. Por exemplo, uma pessoa que tem inúmeros cistos nos rins, mas a função renal normal e o exame de urina sem alterações é considerada uma DRC estágio 1 – risco de precisar de diálise ou transplante é pequeno, mas precisa acompanhar regularmente com um nefrologista. Vamos falar sobre os estágios da DRC mais abaixo.
Qualquer pessoa pode desenvolver DRC, com algumas tendo mais risco do que outras. As principais doenças que aumentam o risco de DRC são:
- Diabetes tipo 1 ou 2
- Pressão alta (hipertensão)
- Doença cardíaca
- Obstrução prolongada do trato urinário, causada por doenças como próstata aumentada, cálculos renais e alguns tipos de câncer
- Refluxo vesicoureteral, uma condição que faz com que a urina volte para os rins
- Infecção renal recorrente, também chamada de pielonefrite
- Ter um membro da família com doença renal
- Ter mais de 60 anos
Quais são os sintomas da Doença Renal Crônica? Geralmente a doença renal crônica (DRC) não causa sintomas em suas fases iniciais. Por isso, é muito importante as pessoas com risco fazerem exames regularmente. Quando sintomas começam a aparecer estes podem ser:
- Coceira
- Cãibras musculares
- Náusea e vômito
- Perda de apetite
- Inchaço nos pés e tornozelos
- Problemas para recuperar o fôlego
- Dificuldade em dormir
- Anemia
Estágios de DRC
A doença renal crônica (DRC) é subdividida em estágios de acordo com taxa de filtração. Na prática clínica, esta taxa pode ser descoberta indiretamente pela creatinina no sangue ou diretamente por exame de urina de 24 horas. Existem várias formulas matemáticas para se estimar a Taxa de Filtração, sendo a mais usada a CKD-EPI, facilmente encontrada em sites de busca.
Complicações da DRC
A DRC pode trazer inúmeros problemas de saúde. Por isso, é fundamental o acompanhamento com o nefrologista.
Algumas das complicações comuns da DRC incluem anemia, doença óssea, acidose metabólica (excesso de ácidos no organismo), doença cardíaca, alto teor de potássio e fósforo no sangue, além de acúmulo de líquido.
A depender de qual complicação o paciente esteja apresentando, o nefrologista é o melhor profissional para avaliar e tratar adequadamente.
Os estágios da DRC são os seguintes:
Estágios da Doença Renal Crônica
- 1
- 2
- 3a
- 3b
- 4
- 5
Taxa de Filtração (estimada) em mL/min/1,73m2
- Acima de 90
- Entre 60 e 90
- Entre 45 e 60
- Entre 30 e 45
- Entre 15 e 30
- Abaixo de 15
A depender do estágio da DRC, as complicações podem ir aparecendo e, com isso, o tratamento vai mudando. Inclusive alguns tipos de medicações podem ser feitas em determinados estágios, enquanto que outras não. Por isso é fundamental acompanhamento com nefrologista a partir do estágio 3a.
Como posso prevenir a DRC?
Diabetes e pressão alta são as causas mais comuns de DRC. Se você tem diabetes ou pressão alta, a melhor forma de prevenir a doença renal é manter a pressão e a glicose no sangue sob controle.
Ter um estilo de vida saudável, com dieta adequada e atividade física regular, pode ajudar a prevenir diabetes, hipertensão e doenças renais, ou ajudar a mantê-los sob controle.
Siga estas dicas para diminuir o risco de doença renal e os problemas que a causam:
- Dieta com baixo teor de sal e gordura
- Faça exercícios pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana (mínimo de 150 minutos por semana)
- Mantenha o peso adequado
- Faça check-ups regulares com seu médico.
- Não fume
- Suspenda ou reduza o consumo de álcool
Como posso saber se tenho DRC?
A DRC geralmente não apresenta nenhum sintoma até que seus rins estejam gravemente danificados. A única maneira de saber se seus rins estão funcionando bem é fazendo os testes, que são bem simples.
Creatinina no sangue e exame de urina são os principais meios para se diagnosticar uma doença renal. Através dela saberemos sobre:
TFGe (taxa de filtração glomerular estimada, ou seja, o quanto que seus rins estão funcionando). Presença de proteínas ou sangue na urina.
A creatinina é o exame mais avaliado pelo nefrologista. Seu corpo produz toxinas o tempo todo e estas toxinas vão para o seu sangue. Rins saudáveis eliminam estes resíduos de seu sangue e, quando os rins começam a falhar, estas substâncias se acumulam.
São centenas de substâncias que se acumulam no sangue com a perda da filtração dos rins. A creatinina é uma delas. Se você tiver creatinina em excesso no sangue pode ser um sinal de que seus rins estão tendo problemas para filtrar o sangue.
Como a DRC é tratada?
Na DRC, os danos aos rins são permanentes. Embora o dano não possa ser corrigido, você pode tomar medidas para manter seus rins o mais saudáveis possível pelo maior tempo possível. Podemos até mesmo impedir que o dano piore. O acompanhamento regular com o nefrologista visa isto – que a perda de função ao longo dos anos seja minimizada.
Quais medidas são importantes:
- Controle o açúcar no sangue se você tem diabetes.
- Mantenha uma pressão arterial saudável.
- Siga uma dieta com baixo teor de sal e gordura.
- Controle do colesterol
- Faça exercícios pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana.
- Mantenha um peso saudável.
- Não fume nem use tabaco.
- Limite o álcool
O tratamento da DRC se divide em 2 basicamente – tratamento conservador e TRS (terapia renal substitutiva).
O tratamento conservador é feito em todos os estágios da DRC – controle adequado da pressão arterial, da glicemia, do colesterol, da doença óssea, da acidose, do excesso de fósforo e potássio. Tudo isso visa diminuir a taxa de perda da função renal, que já está diminuída.
As terapias de substituição renal são feitas quando o paciente atinge o estágio 5 da DRC. A partir do estágio 4, o paciente, junto com o médico e familiares, tem que começar a decidir qual terapia vai querer: transplante renal, hemodiálise ou diálise peritoneal.
A depender da escolha, no estágio 4 começa a ser feito o preparo: ou uma fistula arteriovenosa, se hemodiálise, ou implante de cateter de diálise peritoneal, na diálise peritoneal, ou procura por um doador vivo relacionado no transplante renal. Caso o paciente não tenha doador vivo, pode entrar em lista de doador falecido quando iniciar a diálise.